terça-feira, 1 de abril de 2025

Senhor vá de encontro ou se for da sua vontade?




O poder da oração, sem dúvida, é e vai continuar sendo a melhor ferramenta para nos conectarmos com Deus e interceder pelos que estão nos hospitais enfermos, os acidentados, os atribulados, os que têm uma causa na mão do Senhor, as famílias, as autoridades constituídas e não podemos nos esquecer dos testemunhados que estão começando nessa nova jornada em busca também da sua salvação. Ou seja, para todos os fins, devemos recorrer a Deus em oração. A palavra diz em Tiago 5:16: "Confessai as vossas culpas uns aos outros, e orai uns pelos outros, para que sareis; a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos." Veja que neste trecho enfatiza o poder da oração sincera, especialmente quando feita por alguém que busca viver em justiça e fé. A mensagem aqui é clara: a oração tem um impacto real e poderoso! Mas onde quero chegar com isso? Tenho notado que, de uns anos para cá, nas casas de oração, as orações e os pedidos, na verdade, estão sendo exigidos, ao invés de pedidos com humildade e reverência. Quando é clamado em oração para que Deus ajude aqueles que necessitam de nossas orações, é dito da seguinte forma: "Senhor, vá de encontro nos hospitais, nas casas, faça uma obra na vida de tal pessoa" e por aí vai. Ou seja, não se faz mais uma oração dizendo: "Senhor, se for da sua vontade e se o Senhor quiser, ajude aqueles que se encontram enfermos nos hospitais." Entendeu a diferença? Na primeira oração, está ordenando que Deus vá, ou que Ele faça, quando, na verdade, devemos pedir que, se for de Sua vontade, pois não podemos, de forma alguma, ordenar nada ao Senhor, pois Ele é soberano sobre nós. Um exemplo é Maria ao pedir a Jesus que acabasse o vinho, e a resposta d'Ele para ela foi: "O que tenho eu contigo, mulher?" (João 2:4), onde Jesus responde a Maria, sua mãe, dizendo: "Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora." Na cultura judaica do primeiro século, a relação entre mãe e filho era muito respeitada. No entanto, Jesus, ao chamar Maria de "mulher", não estava sendo desrespeitoso. Essa forma de tratamento pode ser vista como uma maneira de distanciar-se da relação familiar imediata para afirmar sua missão divina. Ao chamar Maria de "mulher", Jesus reafirma sua identidade como o Filho de Deus, que tem uma missão que transcende as relações familiares. Ele está estabelecendo que sua obediência é primeiramente a Deus Pai. Quando Jesus responde a Maria, dizendo "Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora" (João 2:4), Ele está indicando que sua missão não é guiada por pressões externas, mesmo que venham de sua própria mãe. A "hora" de Jesus refere-se ao tempo designado por Deus para a revelação de sua glória e o cumprimento de sua obra redentora. Nota-se que Jesus não acata as ordens de Maria, porque ela não tem autoridade sobre Ele, mas Ele tem autoridade sobre ela. Em outros milagres, Jesus frequentemente espera até que a situação seja crítica antes de agir, como na ressurreição de Lázaro (João 11), onde Ele espera até que Lázaro esteja morto há quatro dias antes de realizar o milagre. Isso demonstra que Jesus opera em seu próprio tempo e de acordo com o plano divino. Ou seja, ninguém diz o que Deus tem que fazer; isso implica também na oração. Outra fala errônea é: "Se o Senhor puder." Como assim? Se o Senhor puder? Ele pode tudo! Ele é o criador dos céus e da terra e tudo que nela está, inclusive nos criou à sua imagem e semelhança. Gênesis 1:26-27: "Então disse Deus: ‘Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança." A afirmação "se o Senhor puder" reflete uma falta de compreensão sobre a natureza e o poder de Deus. Na Bíblia, encontramos várias passagens que afirmam a onipotência de Deus. Um exemplo claro é Lucas 1:37, que diz: "Porque para Deus nada é impossível." Além disso, em Marcos 9:23, Jesus diz: "Se você pode? Tudo é possível àquele que crê." Aqui, Jesus enfatiza que a questão não é a capacidade de Deus, mas a fé do crente. A etimologia da palavra "poder" em grego é "dynamis" (δύναμις), que significa força, poder ou capacidade. Isso nos mostra que a ideia de poder em Deus é intrínseca à Sua natureza. Historicamente, a dúvida sobre o poder de Deus pode ser vista em várias narrativas bíblicas, como a de Abraão e Sara, que duvidaram da promessa de Deus de que teriam um filho em idade avançada (Gênesis 18:14). Deus, no entanto, reafirma que nada é impossível para Ele. Portanto, ao orar, devemos reconhecer a soberania e o poder absoluto de Deus, afirmando nossa fé em Sua capacidade de agir, em vez de duvidar de Sua habilidade. Enfim, devemos ter discernimento ao nos achegar a Deus, pois Ele é Todo-Poderoso e digno de toda honra e respeito. Um exemplo é: você iria se apresentar de qualquer jeito perante a um juiz? Uma autoridade? Muito mais devemos ter respeito para com Deus, pois Ele está acima de tudo e de todos! Deus vos abençoe. 

(Silva Gi)

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